Terminarei a faculdade no final desse ano e estou numa crise pré-formatura, morrendo de medo do mundo que certamente se tornará mais cruel e opressor para uma recém formada vagal e perdida. As coisas tornam-se ainda mais nebulosas quando lembro que não terei a carteirinha de estudante, que dava o direito de pagar um preço mais justo em ingressos de cinema e shows! Nãããão!!
Meu namorado já havia alertado que essa seria a primeira crise da minha vida: “Ok, estou formada e não tenho o trampo que sonhava, tampouco a vida é fácil como é pintado para nós”. Pois é… parece que quando se sai da faculdade, a “sociedade” (essa força “oculta e nefasta”) automática e instantaneamente cresce o olho em você exigindo que tenha um carro, emprego bom e salário idem, casamento à vista ou pelo menos um pedido de noivado e, acima de tudo, a certeza do que quer da vida.
Como é que um cocozinho de gente no auge dos seus 22 anos terá alguma certeza sobre o rumo que tomará por toda sua vida? Para mim ela mais parece uma massa cinzenta lá no horizonte, aguardando a sua vez na lista de preferências que inclui viagens, conversas, livros, filmes, exposições, descobertas, enfim: uma vida vivida, e não imposta por padrõezinhos.
No âmbito familiar presencio essa cena: minha prima já cursou arquitetura, agora formou-se em psicologia mas sem a certeza se é isso realmente que ela quer para guiar sua vida, sua carreira, e o que acontece? Claro: os familiares acham absurdo que a menina não saiba o que fazer da vida, como se ela devesse ser regada somente por certezas, acertos e receitas pois, logicamente, o rumo do homem deve seguir uma ordem cronológica pré-estabelecida.
É claro que anseio por uma vida tranquila longe de perrengues, mas se o pré-requisito para isso é encaixar-me nos moldes impostos, dispenso a maturidade.
I don’t wanna grow up.

